Pontos principais sobre o texto “A religião sob o domínio da estética”
O artigo A religião sob o domínio da estética está dividido em
três partes principais: o significado da
estetização da realidade; estetização e redução da complexidade social; a
religião sob o império da estetização. O principal objetivo do autor é
problematizar o futuro da religião numa sociedade da sensação e império da
estética. - Uma preocupação no porvir parece estar no centro de suas
investigações, visto que o autor já havia publicado em 2008 tentativas de
enquadrar e predizer o futuro da religião na sociedade global, segundo ele,
seguindo uma tendência sistêmica sentida pelas ciências humanas e sociais.[1]
Na primeira parte
sobre a estetização da realidade o autor destaca alguns pontos principais como
as transformações ocorridas no mundo religioso. Moreira (2015) afirma que a
religião( que no passado) influenciou culturas e modificou valores vem sofrendo
incursões de dentro para fora obrigando-a modificar sua estética. Portanto, não
se trata de afirmar o fim da religião na sociedade, mas antes uma
reconfiguração aos novos padrões sociais. Em outras palavras, o autor pontua
que tanto há transformações quanto permanências no campo religioso e essas
transformações podem ser sentidas em diferentes esferas econômicas, sociais e
política.
Em suas permanências os sistemas
religiosos continuam atuantes em poder deslocar, realizar bricolagens, combinar
diferentes esferas (secular/sagrado), espichar suas fronteiras para além do
campo religioso. Do mesmo modo, as religiões enquanto mutantes (termo usado
pelo autor para demonstrar que a religião não é estática) podem ser deslocadas
de suas funções e papel social. Para Moreira (2015) as religiões podem perder
muito de sua importância quando instituições sociais tomam para si o
relacionamento carismático com o povo ou a administração do simbólico por uma
instância secularizada. Nesse sentido, Robert Bellar (1967) afirma a existência
de um sentimento de emulação por parte do Estado rumo ao
desenvolvimento de uma religião civil para a sociedade. - Uma religião sem
templos, nem deuses, sem cultos.[2]
Segundo Moreira (2015), a estetização exige que os sistemas
religiosos sejam atraentes, performáticos com shows business. Uma postura que
contrasta com o ambiente bucólico e a melancolia das catedrais. Na compulsão
estética um Jesus ensanguentado pela crucificação dá lugar ao estilo cristão
mais conectado com as demandas religiosas do mundo moderno como, por exemplo,
rock para Jesus ou a espetacularização da fé na TV. Para Moreira (2015) muita
das vezes o processo de estetização extrapola o próprio campo religioso
causando uma intersecção entre sagrado e profano. Essas linhas que antes eram
bem delimitadas passam a ter suas fronteiras atravessadas e tornando visível a
frágil demarcação de onde começa o profano e termina o sagrado na vida social.
Em linhas gerais, a estetização como
a percepção do belo, produz uma experiência estética de encanto e beleza que
seduz e por isso modifica diferentes camadas da sociedade da qual nem a
religião pode se abster de sua dinâmica. Por isso o autor afirma que a religião
se modifica profundamente pela influência de fora para dentro. Nesse sentido,
Moreira aponta para as mais variadas formas de influência estética na
arquitetura, na moda e toda uma gama de experiência sensorial que pode ser
estetizada. Isso é possível porque há uma busca desenfreada um “apetite” rumo
aos bens simbólicos que podem ser consumidos. No processo de estetização a
mídia ocupa um lugar central ao oferecer e reforçar a necessidade insaciável de
consumo que o autor denomina com muita propriedade de indústria da beleza. Mais
que isso, ocorre a inversão entre mercadoria e embalagem, entre principal e
secundário, conteúdo e forma. Nesse momento o homem é objetificado, pois,
enganado pela paixão imperativa de sentir mais e mais passa a criar ídolos e
cultuá-los como ocorre com a estetização das mercadorias e dos mercados.
Para Moreira (2015), marketing,
design, spot publicitário e um arsenal de estratégias mercadológicas são
criadas para convencer (ou alienar?) o público. E as religiões fazendo uso
dessa estetização dinamizam seus cultos, discursos, santificam seus produtos
agregando valores aos bens simbólicos, no dizer do autor, estetização
imaterial. Um exemplo desses processos podem ser buscados na competição entre
igrejas pelo maior número de seguidores através de shows business entre
emissoras como, por exemplo, Canção nova, missa aos domingos com pe. Marcelo
Rossi, Show da fé com RR Soares, Reuniões de cura e libertação com Edir Macedo,
todas essas mudanças ocorridas graças ao surgimento do cenário televisivo e
tecnológico que propiciaram um avanço da estetização do belo. Para o autor
essas novas dinâmicas se conectam com o sistema produtivo capitalista em que a
fé é o produto mercadológico.
A preocupação do autor se volta para
o tipo de homem que esta geração está sendo moldada (não mais pelo barro, mas
pelo tecnológico) à imagem e semelhança de modelos virtuais e posto em um
paraíso da sensação “(…) no seu corpo, na sua mente e na sua alma” (MOREIRA, 2015,
p. 387). Para o autor é sintomático a busca incessante pelo corpo perfeito,
cirurgias plásticas entre jovens em que está latente a hipervaloração estética,
o exibicionismo exacerbado e as diferentes formas de narcisismos. Nesse
sentido, a modernização da sociedade contribuiu para a estetização da vida
cotidiana. O impacto dessas mudanças pode ser sentida pela individualização, a
destradicionalização e enfraquecimento das instituições promotoras das
mediações e seus valores. Para Moreira (2015) a sobrevivência das religiões
está em grande medida, na capacidade de se adaptar a essas mudanças cultuais –
ao império da estetização. O autor, com isso, não naturaliza a estetização da
religião, mas a coloca no âmbito do dinamismo sócio-cultural. Esse dinamismo não
oferece conteúdos novos a religião, mas simplesmente transforma o campo
religioso a uma exigência por vivências mais dionisíacas.
[1] A obra referida é uma publicação de
diferentes autores com o propósito de ser uma abordagem multidisciplinar para
estudiosos e pesquisadores do campo religioso. Cf. MOREIRA, Alberto. S.;
OLIVEIRA, Irene. D. O futuro da religião na sociedade global: uma perspectiva
multicultural. São Paulo: Paulinas, 2008 (Coleção estudos da religião).
[1] Cf.
BELLAR, Robert. Religião civil na América. [s. l.]: [s. n.], 1967. [ Journal of
American Academy of arts and Sciences, Vol. 96, n. 01. pp. 01-21].
[1] A obra referida é uma publicação de
diferentes autores com o propósito de ser uma abordagem multidisciplinar para
estudiosos e pesquisadores do campo religioso. Cf. MOREIRA, Alberto. S.;
OLIVEIRA, Irene. D. O futuro da religião na sociedade global: uma perspectiva
multicultural. São Paulo: Paulinas, 2008 (Coleção estudos da religião).
[2] Cf.
BELLAR, Robert. Religião civil na América. [s. l.]: [s. n.], 1967. [ Journal of
American Academy of arts and Sciences, Vol. 96, n. 01. pp. 01-21].
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