Epistemologia e Ciências das Religiões

 

1. Existe uma Epistemologia das Ciências da religião no Brasil e qual a importância para c trabalho com religiões no tempo presente? (autores, obras, ideias iniciais).

 

          Segundo Cruz a epistemologia das Ciências da Religião no Brasil ainda é bastante incipiente, devido aos percalços que esta disciplina atravessa para se consolidar enquanto ciência. Para se manter como campo hermenêutico, outras disciplinas corroboram com suas metodologias para conhecer e justificar a diversidade de crenças religiosas. Essa postura de diálogo com diferentes campos do saber é extremamente importante para se estudar o fenômeno religioso na sociedade mesmo que o viés científico do fato observado, testado e comprovado destoe da natureza que o objeto sobrenatural evoca. Entre os autores clássicos no estudo das religiões pode-se destacar a obra As Formas Elementares da vida Religiosa, do sociólogo Émile Durkheim, que via a religião como um fenômeno agregador do social. Outo autor importante para entender o fenômeno religioso é a crítica de Karl Marx à religião como ópio do povo, relcionando-as às estruturas econômicas e de exclusão.

 

 

2. Aponte na sua compreensão os elementos mais relevantes acerca da compreensão de

uma Epistemologia das ciências da religião:

 

 

            Na minha compreensão o elemento mais importante e, não obstante, mais extraordinário, diz respeito aos fenômenos supranaturais que não podem ser explicados pela ciência convencional e lógica cartesiana. A pergunta que vem em seguida diante disso é: como posso conhecer o sobrenatural? A dimensão religiosa por meio da pesquisa se ocupa com um campo teórico metodológico capaz de propiciar um modelo de análise possível, pois a epistemologia também se relaciona com fenômenos supra-empírico e ontológicos. Agora, para dar conta de tais fenômenos é mister todo um arcabouço com técnicas de pesquisas e um conjunto de procedimentos e instrumentos que deem conta do fenômeno. Afinal, não constitui nenhuma novidade que a religião e seus fenômenos já eram estudados por diversas áreas do conhecimento antes mesmo das Ciências da Religião terem se consolidado como disciplina autônoma. Como explicar, por exemplo, a carne que não apodrece do corpo incorrupto de Catarina de Sena e exala excelente odor (fato místico), ou o evento do milagre do Sol, em Fátima, testemunhado, fotografado e filmado. Há numeráveis exemplos de fenômenos supra-empíricos no Cristianismo que podem e devem ser observados sob o véu de que a racionalidade ocidental não tem a última resposta para explicar o mundo. Nesse sentido, a pluralidade de métodos aplicado ao fenômeno pode elucidar pontos-cegos na compreensão do fenômeno.

 

 

3.Qual o significado da Hermenêutica e aponte, se houver, a contribuição dos teóricos utilizados no seu trabalho:

 

            A hermenêutica, como observa Stein (2004), não se trata de uma verdade empírica e muito menos de uma verdade absoluta, pois se assenta nas condições humanas do diálogo e da linguagem. Em sentido amplo, hermenêutica é a arte de interpretar corretamente o sentido de um texto (que por extensão pode ser um símbolo ou outra forma de manifestação humana). Devido sua abrangência a hermenêutica ultrapassa sua aplicação tão somente ao texto escrito, mas para além dele. A hermenêutica aplicada aos fenômenos religiosos podem alcançar significados e sentidos presente no objeto estudado. No meu trabalho de pesquisa o uso de metodologia hermenêutica é fundamental para entendimento da colonialidade do saber ocidental, pois que há uma orientação de expurgar todo saber que não esteja alinhado com o materialismo e racionalismo. Nesse sentido, o conhecimento religioso que lida com a sobrenaturalidade e os fenômenos ad extra, isto é, fora da análise laboratorial, necessitam de uma epistemologia hermenêutica ou fenomenológica que em tese, seria mais adequada.

           

 

4. Como a fenomenologia pode contribuir num trabalho acadêmico? Relacione se for o caso

a contribuição na sua pesquisa:

 

            Na esteira do pensamento kantiano a fenomenologia vinha a ser aquilo que se manifesta. Logo, para Kant há dois níveis de conhecimento possíveis: o mundo fenomênico e outro mundo noumênico que não pode ser neglicenciado pela reflexão crítica. Como o próprio termo incita, no mundo fenomênico ocorrem os fenômenos observáveis e podem ser apreendidos pelos sentidos, enquanto no mundo noumênico onde opera o numinoso, o humano só pode sentir seus efeitos, sem apropriar-se da totalidade do fenômeno. A fenomenologia contribui para o trabalho acadêmico ao descrever aquilo que é imediatamente dado à consciência. O fenômeno é quem fala e descreve seu objeto, enquanto os fenômenos empíricos são revestidos de uma roupagem lógico conceitual a fenomenologia se desnuda dessa roupagem conceitual a fim de apresentá-la totalmente nuas. Para a fenomenologia o que importa são as coisas em si mesmas e não os aspectos acidentais e acessórios. Isso é, em essência, exatamente o que envolve os fenômenos religiosos. Nesse sentido não se pode desprezar a experiência mística, as hierofanias do sagrado, o numinoso como se apresenta e a compreensão e testemunho do fiel que juntos formam um todo coerente passível de análise.

 

 

 

 

 

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