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Mostrando postagens de março, 2026

Documentário Santo forte: a fé e a espiritualidade do povo brasileiro

              O documentário exibido pela TV Cultura intitulado: Santo forte: a fé e a espiritualidade do povo brasileiro, de Eduardo Coutinho, é um importante trabalho para a pesquisa em Ciências da Religião e que pode ser analisado pelo menos sob quatro aspectos: a) interpenetração; b) pertencimento religioso; c) proselitismo; d) intolerância religiosa.  O primeiro aspecto que salta aos olhos é a influência recíproca do catolicismo com as religiões afrodescendentes e com o Espiritismo. Entre os personagens entrevistados Seu Braulino e Dona Heloísa que ao mesmo tempo professam a fé no catolicismo e frequentam a Umbanda e o Espiritismo, convivem pacificamente no mesmo espaço. Dona Thereza que se declara católica-espírita crer na reencarnação e encontra conforto na religião para sua condição social criando 8 netos numa pequena casa no subúrbio do Rio. A interpenetração antecipa que é possível conviver com as diferenças do...

O campo religioso brasileiro em perspectiva

       Segundo Sanchis (1997), as transformações mais significativas no campo religioso brasileiro aponta para o fato do monolitismo católico ter chegado ao fim. Realmente ver o catolicismo ser deposto de sua hegemonia religiosa é um feito inimaginável desde a sua ocupação no território brasileiro. Segundo o autor, o irreversível declínio dos números de adeptos ao catolicismo está em constante declínio desde o ano de 1980. Consequentemente, os números mostram estados brasileiros que aumentam e outros que diminuem ainda mais o número de pessoas que se declaram católicas ou não católicas. Para o autor esse fenômeno é revelador, pois desfaz a ideia de que o país sempre foi homogêneo em matéria de religião. Esse fato o autor relaciona à existência de uma diversidade interna dentro da própria igreja. Por exemplo, sem deixar de ser católico muitos grupos foram criados dentro da igreja estando alinhado com um carisma diferenciado: havendo mais de 20 grupos com característic...

RESENHA Religião e substâncias químicas

     Os autores fazem uma descrição da utilização ritual de substâncias psicoativas em cerimônias religiosas. Afirmam que essa prática é antiquíssima e experienciado por diferentes sociedades. O objetivo do uso dessas substâncias químicas, segundo os autores, foi estritamente religioso, isto é, esteve ligado a busca por estados alterados da consciência na busca de uma experiência com o divino transcendendo a esfera imanente para alcançar o transcendente. Essa busca de uma conexão com o mundo espiritual foi inicialmente utilizada em rituais sagrados em tempos imemoriais. Seja através do uso de plantas psicoativas em ritos ancestrais, o uso de vinho no rito eucarístico ou no manejo de alucinógenos como a ayahuasca, têm-se que o uso de substâncias químicas está ligado desde a origem à busca pelo sagrado. [1]         Depois de historicizar quão antiga e diversificada é a prática de alucinógenos em diversos ambientes religiosos, os autores problemat...

O campo religioso brasileiro em perspectiva

  Segundo Sanchis (1997), as transformações mais significativas no campo religioso brasileiro aponta para o fato do monolitismo católico ter chegado ao fim. Realmente ver o catolicismo ser deposto de sua hegemonia religiosa é um feito inimaginável desde a sua ocupação no território brasileiro. Segundo o autor, o irreversível declínio dos números de adeptos ao catolicismo está em constante declínio desde o ano de 1980. Consequentemente, os números mostram estados brasileiros que aumentam e outros que diminuem ainda mais o número de pessoas que se declaram católicas ou não católicas. Para o autor esse fenômeno é revelador, pois desfaz a ideia de que o país sempre foi homogêneo em matéria de religião. Esse fato o autor relaciona à existência de uma diversidade interna dentro da própria igreja. Por exemplo, sem deixar de ser católico muitos grupos foram criados dentro da igreja estando alinhado com um carisma diferenciado: havendo mais de 20 grupos com características e espiritualidade...

Resenha [ STERN, Fábio L. Metodologia em Ciência da Religião. . Estatuto epistemológico da Ciência da Religião – Revista Relegens Thréskeia, 2020, V. 09, n. 1, p. 138-160]

       No artigo, o autor procura demonstrar os debates sobre as metodologias em Ciência da Religião no Brasil e suas interferências para a pesquisa desde sua emancipação da Teologia. Reconhece que há uma conduta de desvalorização da história institucional e de métodos utilizados na área da Ciência da Religião por parte de pesquisadores. Entre os desafios comumente encontrados está o fato da Teologia ter funcionado como subcomissão dos cursos de Filosofia. Outro desafio em consequência do primeiro está o fato de cientistas da religião e teólogos competirem por bolsas de pesquisas oferecidas pela CAPES. Alguns cursos PPGs mantêm uma visão religiosa conservadora e reagiam contra a autonomia da disciplina. Outro problema enfrentado diz respeito ao debate da formação de docente em Ciência da Religião, sendo que muitos deles eram teólogos por formação. Já as universidades confessionais tementes do caráter não confessional da Ciência da Religião assumiram dupla postura: de...

Resenha da aula sobre Ateísmo e Religiões

              O professor Hugo Brandão inicia sua fala alertando que o debate sobre ateísmo não é algo simples, mas que se trata de um tema profundo e de grande complexidade. Então, qualquer tentativa de abordar a temática de forma concisa estará ciente que um recorte deixará de fora muitas junções que envolvem o pensamento ateu até os dias de hoje. O autor faz uma abordagem multifacetada do ateísmo que vai desde o sentido etimológico do termo até seus desdobramentos com outras perspectivas como o agnosticismo, os sem religião e o ceticismo. Explora de maneira contundente a relação entre ateísmo e moralidade e a refutação de argumentações teístas. A existência de provas da não-existència de Deus, alegação de que é uma religião disfarçada, outras argumentações referem-se ao fato de que por não acreditarem em uma divindade são pessoas infelizes. Essas e outras alegações teístas são elucidadas à luz do próprio ateísmo. Por fim, ...

Fichamento do Capítulo 4 : SOARES, Afonso. M. L. Religião & Educação: da Ciência da Religião ao Ensino Religioso. São Paulo: Paulinas, 2010

  Na obra Religião e Educação: da Ciência da Religião ao Ensino Religioso, o autor procura ilustrar como os conteúdos religiosos estão dissolvidos em várias áreas do conhecimento. Nesse sentido, a melhor proposta de trabalho é o de dialogar com os diferentes campos. É apresentada uma visão sintetizada dessas subdisciplinas e de como o interesse pelo fenômeno religioso vem de longa data.  As disciplinas auxiliares da Ciência da Religião são elencadas por Soares(2010) são: a Antropologia da Religião, a Sociologia da Religião, a História da Religião e a Psicologia da Religião. Observa-se que embora haja um aglomerado de disciplinas, esses campos do saber auxiliam a Ciência da Religião em suas pesquisas, metodologias e epistemologias.               A Antropologia pode ajudar nas pesquisas sobre religiões, sobretudo uma Antopologia praticada na fase moderna quando a Antropologia supera a tendência evolucionista que classificava as religiões dent...

Leitura do texto: Religião como Supraestrutura e como Infraestrutrura

O autor faz uma abordagem da laicidade na sociedade numa perspectiva filosófica e dialógica com diferentes autores. Explora o conceito de religião a partir de outros dois conceitos: supraestrutura e infraestrutura, evitando com isso, dar juma definição universalizada por um viés hegemônico. Segundo Matos(2013), a universalização é um viés perigoso porque faz generalizações  do pluralismo religioso. Analisando essa premissa inicial do autor encontramos muitas concordâncias com sua afirmação visto que diferentes autores abordam a universalidade como problemática. Segundo Max Weber, a generalização parte de uma oposição aos particularismos culturais. Na concepção de Matos (2013), apesar da sociedade cada vez mais secularizada, isto é, laica, a morte ou finitude da vida humana é uma chave que abre a dimensão religiosa diante do mistério da vida. Sua dimensão religiosa impede que o homem se perceba apenas como uma evolução do acaso, (ou no dizer dos antigos, do nada, nada se cria). ...

AnalisE os Textos do Livro – FISCHMANN, Roseli. Escritos e vividos: educação, pluralidade e laicidade do estado. São Paulo: FEUSP, 2023.

         Fischmann, problematizando educação e valores culturais na democracia brasileira ao se fazer lembrar que o modelo de identidade nacional ladrilhado no século XIX, a saber: de uma elite branca, cristã, que tinha condições de estudar e era subsidiada, foi contestada pelo Movimento Modernista de 1920 que optava pela inclusão ou imbricamento de diferentes culturas oriundas da interpenetração cultural. Esse movimento rompia com o pensamento vigente e passava a valorizar três fontes originárias do povo brasileiro como, por exemplo, além da herança europeia, foram incluídas a herança africana e a ameríndia. Foi graças a essa inclusão que muitos outros elementos culturais como o sincretismo religioso e a pajelança passaram a pertencer ao substrato cultural.          Segundo a autora, o preconceito está disseminado e reproduzido na cultura através de telenovelas e no próprio “fazer ciência” quando é colocado em rele...