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Leitura do texto: Religião como Supraestrutura e como Infraestrutrura

O autor faz uma abordagem da laicidade na sociedade numa perspectiva filosófica e dialógica com diferentes autores. Explora o conceito de religião a partir de outros dois conceitos: supraestrutura e infraestrutura, evitando com isso, dar juma definição universalizada por um viés hegemônico. Segundo Matos(2013), a universalização é um viés perigoso porque faz generalizações  do pluralismo religioso. Analisando essa premissa inicial do autor encontramos muitas concordâncias com sua afirmação visto que diferentes autores abordam a universalidade como problemática. Segundo Max Weber, a generalização parte de uma oposição aos particularismos culturais. Na concepção de Matos (2013), apesar da sociedade cada vez mais secularizada, isto é, laica, a morte ou finitude da vida humana é uma chave que abre a dimensão religiosa diante do mistério da vida. Sua dimensão religiosa impede que o homem se perceba apenas como uma evolução do acaso, (ou no dizer dos antigos, do nada, nada se cria). ...

AnalisE os Textos do Livro – FISCHMANN, Roseli. Escritos e vividos: educação, pluralidade e laicidade do estado. São Paulo: FEUSP, 2023.

         Fischmann, problematizando educação e valores culturais na democracia brasileira ao se fazer lembrar que o modelo de identidade nacional ladrilhado no século XIX, a saber: de uma elite branca, cristã, que tinha condições de estudar e era subsidiada, foi contestada pelo Movimento Modernista de 1920 que optava pela inclusão ou imbricamento de diferentes culturas oriundas da interpenetração cultural. Esse movimento rompia com o pensamento vigente e passava a valorizar três fontes originárias do povo brasileiro como, por exemplo, além da herança europeia, foram incluídas a herança africana e a ameríndia. Foi graças a essa inclusão que muitos outros elementos culturais como o sincretismo religioso e a pajelança passaram a pertencer ao substrato cultural.          Segundo a autora, o preconceito está disseminado e reproduzido na cultura através de telenovelas e no próprio “fazer ciência” quando é colocado em rele...

Pontos principais sobre o texto “A religião sob o domínio da estética”

  O artigo A religião sob o domínio da estética está dividido em três partes principais: o   significado da estetização da realidade; estetização e redução da complexidade social; a religião sob o império da estetização. O principal objetivo do autor é problematizar o futuro da religião numa sociedade da sensação e império da estética. - Uma preocupação no porvir parece estar no centro de suas investigações, visto que o autor já havia publicado em 2008 tentativas de enquadrar e predizer o futuro da religião na sociedade global, segundo ele, seguindo uma tendência sistêmica sentida pelas ciências humanas e sociais. [1]               Na primeira parte sobre a estetização da realidade o autor destaca alguns pontos principais como as transformações ocorridas no mundo religioso. Moreira (2015) afirma que a religião( que no passado) influenciou culturas e modificou valores vem sofrendo incursões de dentro para fora obr...

O Quebra de 1912

  O trabalho está dividido em abordagens do ponto de vista histórico rumo à invasão aos Terreiros de Candomblé, seguidos da intolerância religiosa de populares com participação do Estado. O evento ocorrido em 1912 no estado de Alagoas ficou conhecido como Quebra de Xangô. O autor põe em relevo os conteúdos políticos e sociais na descrição do fenômeno datando os eventos e nomeando os personagens diretamente envolvidos. No primeiro capítulo o autor faz uma historiografia da cidade que vai 1815 a 1912. A atenção do autor está concentrada em descrever os decretos, a vegetação, geologia da cidade, clima, rios, limites com outros estados, importância dos engenhos, enfim, faz uma cronologia de sua ascensão como município emancipado trazendo muitas fotografias como fonte de pesquisa. Apenas no último parágrafo do capítulo 1 menciona brevemente o Quebra como um evento político entre as oligarquias Malta e Lima. Esse componente político estava, segundo o autor, vinculado a um aspecto religio...

Religião e Ecologia III

  1. Podemos tecer diferenças entre a posição ecológica de Francisco de Assis (comentada por Leonardo Boff) e a posição defendida pelo Papa Francisco na Encíclica: Laudato si? Não estaríamos lidando, neste caso, com análises feitas dentro da tensão entre Mordomia cristã, ecojustiça e espiritualidade da criação (elementos debatidos por William Renan dos Santos)?               A preocupação com a natureza e a relação do homem com o meio ambiente perturba o espírito humano desde longa data. Os gregos a compreendiam como o logos ou estudo das relações entre todos os seres vivos, o oikos, e no sentido religioso veio a significar a responsabilização do homem com a Criação divina.             Segundo Boff (2007), a ecologia já era tratada pelo frade italiano Francisco de Assis no século 12 antes mesmo da propagação da emergência do tema para os dias de hoje, nove século...

Religião e Ecologia II

  1. Como o sistema de dádivas se conecta a relação religião/natureza?                           Há um quadro de relativa ameaça e preocupação sobre o meio ambiente no mundo global que precisamos compreender suas nuances diante da oposição que alguns grupos se posicionam. Dizemos relativa porque tratados são feitos e desrespeitados, acordos são levantados e descumpridos, milhões de investimentos em pactos para salvar o mundo de uma hecatombe global mobilizam diversos profissionais, cientistas e interessados, mas quase sempre se chocam com os interesses econômicos. A bola da vez agora será a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 ou simplesmente, COP 30 (já é a trigésima tentativa de conscientizar os dirigentes e grandes empresários (potenciais exploradores dos recursos naturais) a se mobilizarem com a questão.     ...

Religião e Ecologia

              É possível hoje apontar o engajamento de diversas denominações em prol da espiritualidade religiosa. De diversas maneiras essas religiões cooperam por meio de ações virtuosas como o amor, a compaixão, a cordialidade e a convivência pacífica. As religiões por meio de sua capacidade de mobilizar e conscientizar massas promovem a paz e o diálogo por justiça, amor ao semelhante e suspensão das guerras. O apelo das religiões redundam por um mundo menos militarizado e mais humano. Há um esforço por parte dessas instituições religiosas para criar estratégias pacificadoras em acordo com sua mensagem religiosa (tradição oral ou escrita).             O engajamento das religiões com a causa da sustentabilidade tem como ponto de convergência a ideia de que a vida precisa ser preservada. Segundo Boff (2004), o cuidado com toda forma de vida é inerente ao homem, pois ...

Epistemologia e Ciências das Religiões

  1. Existe uma Epistemologia das Ciências da religião no Brasil e qual a importância para c trabalho com religiões no tempo presente? (autores, obras, ideias iniciais).             Segundo Cruz a epistemologia das Ciências da Religião no Brasil ainda é bastante incipiente, devido aos percalços que esta disciplina atravessa para se consolidar enquanto ciência. Para se manter como campo hermenêutico, outras disciplinas corroboram com suas metodologias para conhecer e justificar a diversidade de crenças religiosas. Essa postura de diálogo com diferentes campos do saber é extremamente importante para se estudar o fenômeno religioso na sociedade mesmo que o viés científico do fato observado, testado e comprovado destoe da natureza que o objeto sobrenatural evoca. Entre os autores clássicos no estudo das religiões pode-se destacar a obra As Formas Elementares da vida Religiosa, do sociólogo Émile Durkheim, que via a religião como um ...

Como podemos refletir sobre a relação entre Ciência e religião? Quais tensões e contribuições múltiplas podemos identificar nesses saberes na sociedade contemporânea?

  Para McGrath (2020), tanto a Ciência como a religião são as forças mais significativas e interessantes na sociedade contemporânea. Segundo o autor, Ciência e fé religiosa iluminam o mundo. Tanto os livros sobre a natureza quanta as Escrituras sagradas procuram oferecer ao homem respostas sobre a realidade e das discrepâncias entre um e outro surge o conflito. Para o autor esse conflito surge porque nem a Ciência nem a religião podem responder satisfatoriamente todas as indagações humanas e por nenhuma delas poderem dar a última palavra é que o conflito se instala. Juntas, porém, negada a perspectiva de supremacia de uma sobre a outra, Ciência e religião oferecem uma visão mais completa e esférica da realidade, complementam-se, dialogam entre si para dar conta do todo físico e para além do físico.               A tensão colocada por esse autor está no fato de que a Ciência não consegue transpor além do que visualiza, ...